Alter - Vol. XXIX nº 1- 2011
Vivências clínicas
Editorial
Após fazer parte do Conselho Editorial da Alter, em sua gestão passada, sob a batuta da colega Ambrozina Saad que com competência e dedicação trilhou os caminhos da editoria, é com muito entusiasmo que passo a exercer a função de editora.
Pretendemos reafirmar a linha editorial de estimular a produção em psicanálise, de modo a reconhecer todos aqueles que se dispõem a problematizar os fundamentos e trajetórias singulares de pensamento, estimulando a convivência criativa de diferente correntes psicanalíticas e a filiação a entidades diversas.
Como acreditamos ser indispensável uma pluralidade de modos de pensar que permitam ao leitor uma perspectiva maior das questões que se colocam para o psicanalista em sua prática e estudo, acolhemos produções de outros campos do conhecimento que se proponham a dialogar com a psicanálise.
Para tanto, conto com o apoio dos colegas que compõe o conselho editorial, que tão prontamente aceitaram a tarefa de me acompanhar nesta empreitada. Introduzimos um sistema de avaliação baseado em parecer emitido por consultores externos, ampliando o seu quadro. Dessa maneira, esperamos promover uma avaliação mais isenta e rigorosa dos trabalhos recebidos para publicação, de modo a que a Revista ganhe maior credibilidade no seio da comunidade científica.
A partir deste
número, a Alter passará a ter uma versão também on line.
Considerando a Internet um importante meio de pesquisa, esperamos que a Revista
ganhe maior visibilidade e alcance, ampliando seu espaço, de modo a que
diferentes segmentos possam ter acesso a seu conteúdo, bem como expandindo a
inserção da produção psicanalítica em campos afins.
Os números da Alter não são temáticos, a priori. Acolhemos as produções enviadas e, a partir daí, procuramos encontrar um eixo comum que percorra parte dos textos selecionados para a publicação.
Neste número,
o tema de grande parte dos artigos foi o das vivências clínicas.
Nos artigos apresentados os autores procuram atribuir sentidos a suas
experiências tecendo suportes teóricos.
Já no artigo que inaugura a revista, apresentamos “Loucura primária e secundária”, de Neville Symington. O autor traz em sua história a marca da diversidade, ao transitar em distintas culturas, é português em sua origem, fez sua formação em psicanálise em Londres e atua como analista na Sociedade de Psicanálise Australiana.
No artigo, examina o funcionamento da loucura primária e da loucura secundária, e aponta como agente transformador da mudança psíquica o compartilhamento de experiências primárias entre analista e analisando.
No artigo
intitulado “Sobre luto e melancolia: uma reflexão sobre o purificar e o
destruir”, Elisa Cintra orienta suas reflexões a partir do filme Ilha do medo,
de Martin Scorcese, explorando o processo de luto e o que leva à impossibilidade
de sua elaboração na melancolia.
Nesta perspectiva se inscrevem os trabalhos de Fátima Flórido Cesar, “Para que
servem as emoções” e o de Daniel Delouya “O menino, meu amor”, onde, a partir da
vivência clínica, fonte primeira do nosso conhecimento acerca do psiquismo, os
autores tecem considerações teórico-clínicas sobre o encontro analítico.
Em “As montagens perversas como defesa contra a psicose”, Flávio Ferraz propõe uma hierarquização nos mecanismos de defesa da perversão e da psicose.
No contexto das mesmas preocupações, Walter Trinca discorre sobre a esquizofrenia no contexto da psicanálise, destacando a ação da pulsão de morte como determinante do vínculo do sujeito consigo próprio e com a realidade que o circunda.
Em o “País dos samurais atômicos – uma reflexão metapsicológica sobre o psiquismo coletivo japonês”, Any Marise Ortega, debruça-se sobre a especificidade da estruturação psíquica da sociedade japonesa e dialoga com o artigo que inaugura a sessão “tradução”, intitulado “O conceito de amae e suas implicações na clínica psicanalítica”, de Takeo Doi. O autor, que fez parte da segunda geração de analistas no Japão, interessou-se principalmente pela problemática da diferença cultural, e apresenta no artigo o conceito de amae, uma relação particular de dependência à mãe.
Nesse sentido, devemos nosso agradecimento ao colega Avelino Neto, por ter se disponibilizado a traduzir o artigo.
Abrindo a sessão leituras, Myrna Pia Favilli debruça-se sobre o filme “Cisne Negro”, fazendo uma leitura singular do universo adolescente e suas ressonâncias.
Luiz Gallego apresenta sua reflexão sobre a obra de Tsai Ming-Liang, cineasta malaio, destacando o tema da solidão e a procura emocional pelo Outro.
A seguir, as resenhas nos dão notícias de novidades bibliográficas.
Cabe destacar que mais uma vez contamos com a colaboração de nossa coeditora Maria Luiza Gastal que sempre se dispõe na tradução e revisão técnica dos artigos em inglês.
Desejamos aos leitores que, ao final da leitura, encontrem inspirações para um maior avanço na compreensão da natureza humana.
Maria Nilza Mendes Campos
Editora
A r t i g o s
• Loucura primária e secundária - Neville Symington
• Sobre luto e melancolia: uma reflexão sobre o purificar e o destruir - Elisa Maria de Ulhôa Cintra
• As montagens perversas como defesa contra a psicose - Flávio Carvalho Ferraz
• O menino, meu amor (somente o resumo) - Daniel Delouya
• Para que servem as emoções? - Fátima Flórido Cesar
• Notas sobre a esquizofrenia no contexto da psicanálise - Walter Trinca
• O país dos samurais atômicos: uma reflexão metapsicológica sobre o psiquismo coletivo japonês - Any Marise Ortega
T r a d u ç ã o
• O conceito de amae e suas implicações psicanalíticas - Takeo Doi
L e i t u r a s
• A dança da vida - Algumas observações psicanalíticas sobre o filme Cisne Negro - Myrna Pia Favilli
• A última sessão do cinema - Luiz Fernando Gallego
R e s e n h a s
• Cartas a uma jovem psicanalista - Heitor O’Dwyer de Macedo | Resenhado por: Luciano Antunes F. Sousa
• A clínica psicanalítica das psicopatologias contemporâneas - Gley Silva de Pacheco Costa e cols. | Resenhado por: Alvani Almeida de Souza Alves
• Bion em nove lições: lendo Transformações - Luis Cláudio Figueiredo, Gina Tamburrino e Marina Ribeiro | Resenhado por: Aurea Chagas Cerqueira
Conselho Editorial
Editora: Maria Nilza Mendes Campos
Coeditora: Maria Luiza Gastal
Conselho Editorial:
Almira Correia de Caldas Rodrigues
Carlos César Marques Frausino
Teresa Cristina de Moura Peixoto
Warton Monteiro
Conselho Consultivo:
Antônio Muniz de Rezende - SBPSP
Aurea Maria Lowenkron - SBPRJ
Ana Rita Nuti Pontes - SBPSP
Bruno Salésio da Silva Francisco - SPPEL-SBPRJ
Jansy de Mello
Estela Versiani - ESCS
Marion Minerbo - SBPSP
Miguel Calmon Du Pin e Almeida - SBPRJ
Raul Hartke - SPPA
Regina Lúcia Braga Mota - SPB
Regina Orth de Aragão
Roosevelt Moisés Smeke Cassorla - SBPSP
Sandra Maria Gonzaga - SBPRJ
Telma Gomes de Barros Cavalcanti - SPR
Terezinha de Camargo Viana - UnB