Alter  - Vol. XXVII nº 2-  2009

Simbolização e a fala do analista

 

 

 

Editorial 

Editora:  Ambrozina Amália Coragem Saad

Co-Editora: Regina Lúcia Braga Mota

Conselho Editorial:

    Ana Velia Vélez de Sanchéz Osella

    Elias Abdalla Filho

    Márcio Nunes de Carvalho

    Maria Fátima Silveira dos Santos

    Maria de Lourdes Teodoro

    Maria Luiza Gastal

    Maria Nilza Mendes Campos

    Roberto Calil Jabur

    Selma de Oliveira Barreiros Porto

Consultores:

    Alcira Mariam Alizade

    Ana Rita Nuti Pontes

    Jansy Berndt de Souza Mello

    José Vieira Nepomuceno Filho

    Maria Aparecida Quesado Nicoletti

    Miguel Calmon Du Pin e Almeida

    Roosevelt Moisés Smeke Cassorla

    Suad Haddad de Andrade

    Vera Lúcia Colussi Lamanno Adamo

 

 

 

Resumos dos artigos

 

 

Conversando com estranhos

Fred Busch -PHD - Chestnut Hill

 

Este trabalho utiliza a metáfora de “falar com estranhos” para enfatizar os variáveis graus de acesso que nossos pacientes têm a seus próprios pensamentos. Fundamentalmente, tendemos a esquecer o quanto as descobertas da psicanálise podem ser perigosas para o sentimento de bem-estar de nossos pacientes, em virtude de medos arcaicos sempre presentes. Subjacente à metáfora, existe a importância de analisar resistências inconscientes e o significado da interpretação para o ego pré-consciente. De fato, em torno destes conceitos há uma crescente concordância entre psicanalistas de referenciais teóricos muito distintos e divergentes.

Palavras-chave: Técnica psicanalítica; associação livre; análise das defesas; pensamento pré-consciente.

 

 

 

Da análise ao sonho, do sonho à análise.

Espaço analítico e espaço onírico individual – um fragmento clínico

Vincenzo Bonaminio - Roma

 

O trabalho focaliza o processo que vai da geração de um sonho dentro da situação analítica até a sua comunicação pelo analisando, tal como apresentado em um fragmento de análise. A transformação da configuração clínica da dissociação e da defesa maníaca do paciente em análise é considerada modelo para descrever a experiência do sonhar enquanto distinta do conteúdo do sonho como texto e como narração para o analista. A experiência do sonhar coincide com a experiência do analisando em análise.

Com referência peculiar a conceitos introduzidos por M. Khan, argumenta-se que o (re)criar-se, pelo trâmite da análise, de um espaço onírico individual, constitui o pré-requisito da experiência do sonhar enquanto incipiente experiência pessoal do self. O espaço onírico que está fora do texto do sonho, mas que é do sonho porque permite o sonhar apresenta-se, enquanto tal, “além da interpretação” do próprio sonho por parte do analista que permanece paradoxalmente excluído disso. Não é enquanto tal conhecível: trata-se do paradoxo de como pode funcionar um modelo intrapsíquico como é o sonho, em relação a uma experiência essencialmente intersubjetiva como é a análise.

A colocação do analista nesse paradoxo é a de procurar e de fornecer, para o trâmite do cenário analítico, o ambiente para a constituição do espaço onírico: um espaço colocado à disposição para ser usado de modo que a experiência do sonhar se realize.

Palavras-chave: sonho; espaço analítico; espaço onírico; experiência intersubjetiva.

 

 

A fantasia e o simbólico na cura: do não representável ao simbolizável

Juan Eduardo Tesone - Buenos Aires

 

No texto, o autor afirma que são traumáticas as experiências que não puderam ser representadas, pois seus processos de ligação fracassaram, permanecendo fora do domínio do simbólico. Na clínica, essas experiências traumáticas requerem a construção (com valor de interpretação). Isso para que possam ser pensadas, qualificadas, nomeadas – e não somente o proceder-se ao trabalho de levantar a repressão para favorecer a rememoração.

Na relação transferencial de pacientes que sofreram traumas, convém estar atento a toda a semiótica do figurável, em particular às entonações do discurso, via de acesso ao não representado. Desse ponto de vista, o autor sugere que a psicanálise estaria na metade do caminho entre uma ciência conjetural e uma obra estética.

Palavras-chave: Simbolizável; fantasia; fantasma; figurável; incesto; traumático; representável.

 

 

Afinal, para que servem as teorias em psicanálise?

Julio Frochtengarten - São Paulo

O autor procura examinar as possíveis articulações entre experiência clínica e o conhecimento formalizado nas teorias psicanalíticas. Reconhecendo que as relações entre prática e teoria sempre constituíram um difícil casamento, inicia o trabalho com um breve exame da história da teoria do conhecimento para, em seguida, examinar a questão da observação em psicanálise. Modelos literários e fragmentos clínicos são utilizados como ilustração no desenvolvimento do tema.

Palavras-chave: Teoria de observação em psicanálise; teoria psicanalítica <–> clínica psicanalítica.

 

 

Equívocos malignos

Paulo de Moraes Mendonça Ribeiro - Ribeirão Preto

 

O autor parte da experiência clínica com um paciente borderline, que lhe remeteu à figura mitológica de Atlas, o herói que precisava manter céu (pai) e terra (mãe) separados à custa de sua eterna imobilização. O seu paciente “Atlas”, conjetura o autor, sofreu precocemente um “equívoco maligno”, conceito de Ronald Britton (1997) que tem como modelo a fantasia de que a união sexual pai + mãe resultaria na criação de um objeto interno hostil de qualidade terrorífica. A cena primária não é encarada como um evento criativo e gerador de desenvolvimento e prazer, mas sim como algo catastrófico, fonte de experiências traumáticas que devem ser evitadas a qualquer custo, prejudicando o desenvolvimento do indivíduo.

Partindo do vértice evolutivo da constituição da mente humana, o autor procura fazer uma microscopia do surgimento e desenvolvimento de fatores e funções da personalidade (Bion, 1962, 1965) na mente do bebê, correlacionando-os com o primitivo estabelecimento da situação edípica na mente do lactente. Como contraponto, propõe a microscopia do estabelecimento de uma situação edípica patológica, na qual o “equívoco maligno” acaba por gerar um “objeto-rejeitador-de-identificação-projetiva”, obstinadamente gerador de incompreensões e estados de desamparo.

Por meio dos movimentos transfero-contratransferenciais da relação analítica, propõe observarmos as transformações que podem sofrer os objetos internos enfocados como “fatores” da mente em interação com suas “funções”, bem como o desenvolvimento dessas funções psíquicas, a fim de possibilitar movimentos em direção a uma configuração estável da constelação edípica individual, criando um ‘espaço’ mental no qual “pensamento verbal” (Bion, 1956) pode se estabelecer.

Ilustra suas conjeturas com material clínico.

Palavras-chave: complexo de Édipo; fatores e funções da personalidade; caos; rêverie; equívoco maligno; personalidade borderline; objetos internos.

 

 

Solidão e desamparo na adolescência e sua relação com a triangulação edípica

Gisèle de Mattos Brito - Belo Horizonte

 

Este trabalho tem como objetivo refletir sobre o sentimento de solidão e desamparo nos adolescentes, que estão impossibilitados de estabelecer e elaborar a relação triangular edípica, o tanto quanto possível. Nesses casos, a análise entrará como um terceiro elemento que possibilitará a reconstrução, na transferência, dessa triangulação. Como resultado, busca-se mostrar a diminuição do sentimento de solidão e desamparo e a construção de uma condição interna no paciente para lidar com as angústias presentes na relação triangular. Ressalta-se, ainda, a importância da terceira posição (Britton, 1989) em que analista e paciente encontram-se mais livres para observar a si mesmos e ao outro.

Palavras chaves: solidão; desamparo; complexo de Édipo; triangulação edípica; adolescência; espaço triangular.

 

 

Compulsão, repetição e transgeracionalidade

Ana Rosa Chait Trachtenberg - Porto Alegre

 

Uma insólita reação contratransferencial – a compulsão por lavar as mãos após o atendimento de uma paciente, como único sinal de uma doença infectocontagiosa em curso – remete a reflexões sobre o irrepresentável, o uso do corpo, os segredos transgeracionais, as pulsões de vida e de morte, as identificações projetivas e alienantes. O sintoma no analista remete à questão: o que nos resta para além do sintoma? O que mais pensar além de: algo estranho está ocorrendo e não sei o que é? Ou: o que temos além do corpo demoniacamente utilizado? O corpo, o sintoma, são as últimas trincheiras da pulsão de vida, muitas vezes colocadas por nossos pacientes em nossas mãos como expressão e denúncia de segredos transgeracionais, conjugados com a pulsão de morte no corpo e na mente.

Palavras-chave:  compulsão; repetição; segredo; corpo; contratransferência; transgeracionalidade; identificação alienante; irrepresentável.

 

 

A visão da psicanálise para os fenômenos compulsivos, impulsivos e aditivos nos transtornos alimentares

Marina Ramalho Miranda - São Paulo

 

Apresento, neste trabalho, reflexões teórico-clínicas a respeito das dimensões compulsiva, impulsiva e aditiva das perturbações alimentares, focalizando a atenção para o início do desenvolvimento da capacidade de representação simbólica, formação de símbolos e primeiras relações objetais, sustentando a ideia de que a psicanálise faz-se imprescindível na compreensão diagnóstica e de tratamento desses fenômenos.

Palavras-chave: transtornos alimentares; fenômenos compulsivos; impulsivos e aditivos; símbolos.

 

 

Formação

 

A análise do analista: re-análise

Alícia Beatriz Dorado de Lisondo - Campinas

(sem resumo)

 

 

Vicissitudes do campo transferencial nas análises de formação

Regina Lúcia Braga Mota - Brasília

 

A autora tece considerações a respeito da complexidade do campo transferencial que se instala nas análises de formação, desde a escolha do analista até o término da análise e seus resíduos. Reconhece a influência intrusiva da instituição na dupla analista-analisando. Indica que, nestes casos, o analista tem que estar muito atento à sua contratransferência no momento de interpretar. Sugere ainda que os analistas se interroguem a respeito do seu desejo de requerer a função didática e ressalta a importância de uma qualificação criteriosa dos membros para esta função.

Palavras-chave: contratransferência; campo transferencial; formação analítica; instituição psicanalítica.

 

 

Entrevistas

 

Entrevista com Alcira Mariam Alizade

 

 

Leituras

 

La pareja rota: ensayo sobre el divorcio - Alcira Mariam Alizade

Resenhado por Kátia Barbosa Macêdo

 

Presença sensível - cuidado e criação na clínica psicanalítica - Daniel Kupermann

Resenhado por Márcia Anunciação da Costa Vasconcelos

 

Origens de Winnicott - Roberto B. Graña

Resenhado por César Bastos

 

Comentários sobre o filme "Assédio"

Beatriz Trocon Busatto

 

   

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