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Foto: Reprodução Sigmund Freud, o pai da psicanálise |
A subjetividade do homem do século XXI está em crise. Para os psicanalistas, especialistas na alma humana, a sociedade rápida, tecnológica, sem limites territoriais e que construiu uma ciência capaz de retardar o envelhecimento sofre com a solidão e o vazio. O desequilíbrio entre a relação entre o corpo e a mente das pessoas aflige uma sociedade carente de compreensão de si mesma. Por tudo isso, as ideias de Freud
continuam extremamente atuais. A associação criada para difundir a
psicanálise pelo mundo - The International Psychoanalytical Association Hoje, serão realizados inúmeros eventos em todo o mundo para celebrar e divulgar a psicanálise, como seminários, debates, lançamentos de livros. A data foi escolhida pela IPA por cair em um fim de semana. A associação foi lançada, na verdade, no dia 30 de março de 1910. Hoje, ela está espalhada por 33 países e possui 12 mil profissionais associados. Até na China e na Coréia, países outrora fechados às ideias da psicanálise, possuem associações locais.
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Com a psicanálise, o austríaco Sigmund Freud (1856-1939) propôs a existência da inconsciência humana. Como psiquiatra, estava insatisfeito com os resultados obtidos para “curar” os conhecidos como “histéricos” naquela época. Pessoas que possuíam distúrbios físicos sem causa aparente ou os doentes mentais passavam por hipnoses para buscar mudar a realidade. Freud sugeriu buscar explicações em áreas não exploradas. Decidiu ouvir os pacientes para tentar entendê-los.
A psicanálise nasceu, então, com ideias inovadoras. A consciência seria apenas um fragmento da vida psíquica. A alma humana ganhou diferentes “eus” a partir daí. Freud também mostrou a existência da sexualidade desde o nascimento (aqui não entendida como prazer sexual, mas como prazer nas experiências da vida) e defendeu, acima de tudo, o pensamento crítico e independente, a liberdade de expressão.
Evolução constante
“A psicanálise contribui, portanto, para o debate de todos esses temas candentes
do momento”, afirma Cláudio Eizirik, integrante da Sociedade de Psicanálise de
Porto Alegre, primeiro e único presidente brasileiro da IPA até hoje. Ele esteve
à frente da associação por quatro anos, de 2005 a 2009. Cláudio lembra que a IPA
possui um comitê na Organização das Nações Unidas (ONU), que organiza debates e
sugere maneiras de prevenção da violência, das guerras e do terrorismo. “Como
diria Freud, a voz da razão é baixa, mas não se cala e nunca desiste de ser
ouvida”, diz.
A sustentabilidade será o tema das comemorações do centenário da IPA no Brasil.
Para Plínio Montagna, presidente da Sociedade Brasileira de Psicanálise de São
Paulo, a ciência criada por Freud representa um “ponto de vista” sobre a
observação do que acontece no mundo. Naturalmente, a sustentabilidade do
indivíduo, da sociedade e do planeta interessa à psicanálise.
“É uma poderosa arma de reflexão nesse sentido. É sinal do engajamento da psicanálise e da IPA nos problemas relacionados à nossa sobrevivência como espécie humana”, pondera Montagna. Ao longo dos anos, as teorias psicanalíticas evoluíram com a contribuição de outros pensadores para acompanhar as mudanças da sociedade. “O desafio da psicanálise é estar na vanguarda da compreensão das subjetivações contemporâneas, compreendendo-as, e não estar a reboque das mudanças”, diz.